Decisão do Banco Central brasileiro desvalorizou o real.
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Dólar tem forte alta após decisões de juros do BC.
O dólar comercial registrou forte valorização frente ao real nesta quinta-feira (18 de junho 2026), encerrando o pregão cotado a R$ 5,17, com alta superior a 1%, refletindo fatores domésticos e internacionais que alteraram o humor dos investidores.
A moeda norte-americana chegou a atingir máximas de R$ 5,19 durante a sessão, enquanto os juros futuros avançaram e o mercado reavaliou suas expectativas para a política monetária brasileira e norte-americana.
O principal gatilho para o movimento cambial veio após as decisões anunciadas pelos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Embora o corte já fosse amplamente esperado pelo mercado, o comunicado foi interpretado como mais flexível em relação ao combate à inflação, alimentando apostas de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.
EUA
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros inalterados, mas adotou um discurso considerado mais duro do que o esperado pelos agentes financeiros. A autoridade monetária americana sinalizou preocupação com a persistência da inflação e indicou a possibilidade de novas elevações das taxas ao longo dos próximos meses, fortalecendo a atratividade dos ativos denominados em dólar.
Segundo analistas, a combinação entre juros mais baixos no Brasil e juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos reduz o diferencial de taxas entre os dois países, diminuindo o interesse de investidores estrangeiros por ativos brasileiros. Esse movimento tende a estimular a migração de capital para o mercado americano, pressionando o câmbio e favorecendo a valorização da moeda norte-americana.
Além do fator monetário, o cenário internacional segue marcado por elevada aversão ao risco. As tensões geopolíticas no Oriente Médio, somadas às preocupações com inflação global e crescimento econômico, têm impulsionado a busca por ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o próprio dólar.
No mercado doméstico, a alta do dólar também repercutiu na curva de juros futuros, que registrou forte avanço ao longo do pregão. Investidores passaram a exigir retornos maiores para financiar a dívida pública brasileira diante da percepção de que uma política monetária menos restritiva poderá dificultar a convergência da inflação para as metas estabelecidas pelo Banco Central.
Real
Apesar da expressiva valorização da moeda americana no dia, o real ainda acumula desempenho positivo em 2026. Até o início de junho, o dólar registrava queda superior a 8% no acumulado do ano, beneficiado pelo fluxo de capital estrangeiro, pelos elevados juros domésticos e pela força das exportações brasileiras de commodities. O movimento observado nesta quinta-feira representa, portanto, uma correção relevante dentro de um cenário ainda marcado por elevada volatilidade cambial.
A princípio, os investidores continuarão monitorando a inflação nos Estados Unidos, os próximos passos do Federal Reserve e os sinais do Banco Central brasileiro sobre a continuidade dos cortes da Selic. A combinação desses fatores deverá permanecer como principal direcionador do comportamento do dólar frente ao real ao longo do segundo semestre de 2026.
Dólar tem forte alta após decisões de juros do BC.



