Museu de Campos do Jordão, que reúne mais de 120 carros clássicos e obras de arte, apresenta mostra sobre a Romi-Isetta até 12 de outubro.
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CARDE supera 200 mil visitantes e celebra 70 anos da Romi-Isetta
O CARDE, museu dedicado a Carro, Arte, Design e Educação, em Campos do Jordão (SP), acaba de superar a marca de 200 mil visitantes. Inaugurado em novembro de 2024, o espaço se aproxima de dois anos de atividades reunindo mais de 120 automóveis clássicos, mobiliário, obras de arte, joias, esculturas e objetos históricos.
Para celebrar o marco, o museu iniciou uma exposição especial em homenagem aos 70 anos do início da produção da Romi-Isetta no Brasil, um dos modelos mais emblemáticos da história da indústria automobilística nacional. A mostra permanece aberta ao público até 12 de outubro.
Localizado a cerca de 170 quilômetros de São Paulo, o CARDE é um projeto da Fundação Lia Maria Aguiar (FLMA) e utiliza o automóvel como fio condutor para apresentar diferentes períodos da história brasileira e mundial.
“Nossa meta é transmitir conhecimento e cultura, seja pelas obras de arte ou até mesmo por meio de automóveis que marcaram a infância, trazem lembranças de viagens de família ou que representaram momentos importantes de diversas épocas. Eles são responsáveis pela ligação que transforma o CARDE em uma experiência única”, afirma Luiz Goshima, diretor do CARDE e membro honorário da Fundação Lia Maria Aguiar.
Romi-Isetta: 70 anos de história
A exposição especial apresenta não apenas um exemplar da Romi-Isetta, mas também o contexto histórico, tecnológico e social relacionado à chegada do modelo ao Brasil.
A proposta é mostrar como o pequeno automóvel se tornou um símbolo do processo de industrialização brasileira e da capacidade de inovação da indústria nacional durante a década de 1950.

Um dos destaques da mostra é a Romi-Isetta 300 de Luxe, ano 1959. O modelo é reconhecido como o primeiro automóvel de passeio produzido em série no Brasil.
A produção da Romi-Isetta começou em junho de 1956, em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, pelas Indústrias Romi S.A., sob licença da fabricante italiana Iso. O projeto brasileiro utilizava como base o conceito e o conjunto mecânico do microcarro Iso Isetta, apresentado três anos antes no Salão de Turim.
O modelo chamava atenção por suas soluções inovadoras para a época. A carroceria tinha apenas uma porta, localizada na parte dianteira, enquanto o volante e o painel de instrumentos acompanhavam o movimento da porta, facilitando o acesso dos ocupantes.
Também se destacava pelo baixo consumo de combustível. Segundo os dados apresentados pelo museu, a Romi-Isetta tinha autonomia de aproximadamente 25 km/l e velocidade máxima de 85 km/h.
Em 1959, após o encerramento do contrato com a Iso, chegou ao mercado a versão 300 de Luxe, equipada com um novo motor fornecido pela BMW. O modelo mantinha o desempenho da versão anterior, mas apresentava maior torque, potência e conforto, além de mudanças pontuais no acabamento externo.
A produção da Romi-Isetta foi encerrada em 1961. Estima-se que pouco mais de 3 mil unidades tenham sido fabricadas entre 1956 e 1961, o que contribuiu para transformar os exemplares sobreviventes em veículos bastante procurados por colecionadores.
Documentos ajudam a contar a história da Romi-Isetta
Além dos automóveis, a exposição permite ao visitante conhecer o Centro de Referência e Pesquisa do CARDE, espaço dedicado à preservação de documentos históricos.
O acervo reúne projetos técnicos, desenhos, fotografias, registros e documentos originais preservados pela Fundação Romi. O material ajuda a compreender os bastidores do desenvolvimento e da produção da Romi-Isetta, além dos desafios enfrentados pela indústria brasileira durante seu processo de consolidação.

CARDE une automóveis, arte, design e educação
O próprio nome CARDE representa os quatro pilares do museu: Carro, Arte, Design e Educação.
O espaço foi organizado em ambientes imersivos que acompanham diferentes décadas do século 20. Cada área foi concebida a partir de pesquisas históricas para reproduzir referências, acontecimentos e características de cada período.
Além dos automóveis, o museu reúne centenas de obras de arte, entre pinturas, gravuras, joias e esculturas. O acervo inclui trabalhos de nomes como Candido Portinari, Di Cavalcanti, José Zanine Caldas, Frans Krajcberg, Vik Muniz, Oswaldo Teixeira, Djanira da Motta e Silva, Agostinho Batista de Freitas, Heitor dos Prazeres, José Antônio da Silva, Niccolò Frangipane e Yutaka Toyota, entre outros.
A cenografia, a iluminação e os recursos audiovisuais foram utilizados para criar uma experiência que combina automóveis, arte e referências históricas.
O museu também conta com cerca de 20 monitores, muitos deles jovens egressos da Fundação Lia Maria Aguiar. Eles são preparados para apresentar aos visitantes informações sobre os automóveis, obras de arte e objetos que integram o acervo.
CARDE conquista prêmios internacionais
Apesar de relativamente recente, o CARDE já conquistou reconhecimento em importantes eventos internacionais de automóveis clássicos.
Em 2025, o museu participou pela primeira vez do Pebble Beach Concours d’Elegance, na Califórnia, nos Estados Unidos. O Isotta Fraschini Tipo 8A SS Guida Interna Sport, de 1928, recebeu o troféu “Lap of Luxury”, destinado ao veículo considerado mais luxuoso entre os participantes da categoria.
Na mesma edição da Monterey Car Week, a Ferrari F50 1995 pertencente ao acervo do CARDE recebeu o prêmio máximo na categoria criada para celebrar os 30 anos do superesportivo italiano, durante o The Quail.
O exemplar se destacou também pela sua história. Trata-se do segundo de apenas três protótipos produzidos antes da fabricação das 349 unidades destinadas ao mercado.
Em 2026, o CARDE voltou a ser premiado em Pebble Beach. O Isotta Fraschini Tipo 8A Cabriolet d’Orsay, de 1925, conquistou o segundo lugar na categoria Clássicos Europeus acima de 4 litros, uma das disputas pré-guerra do concurso.
Exposição Romi-Isetta 70 anos
Período: até 12 de outubro de 2026
Abertura ao público: 28 de novembro de 2024
Horário: das 10h às 18h
Entrada permitida: até 16h30
Fechado: terças e quartas-feiras
Ingressos: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia-entrada)
Endereço: Rua Benedito Olímpio Miranda, 280, Alto da Boa Vista, Campos do Jordão (SP), CEP 12472-610
Site: www.carde.org
E-mail: contato@carde.org
Instagram: @carde.museu
Telefone: (12) 3512-3547
CARDE supera 200 mil visitantes e celebra 70 anos da Romi-Isetta.




