Brent atinge maior nível desde maio com tensão no Oriente Médio e ataques a instalações de energia elevam preocupação com o abastecimento global.
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Petróleo dispara para US$ 110 e aumenta temor de alta nos combustíveis e na inflação mundial.
O preço do petróleo voltou a disparar nos mercados internacionais e acendeu um novo alerta para a economia mundial. O barril do Brent chegou a US$ 110 nesta sexta-feira (16) pela primeira vez desde maio e encerrou o dia cotado a US$ 109,86, uma alta de 3,7%.
Nos Estados Unidos, o petróleo WTI também voltou a superar a barreira psicológica de US$ 100 e fechou a sessão a US$ 101,41, com avanço de 3,5%. Na semana, o Brent acumulou alta de 4,9%, enquanto o WTI avançou 10,4%.
O movimento reflete o aumento das preocupações com o fornecimento mundial de petróleo diante da escalada das tensões no Oriente Médio e de novos ataques contra instalações e rotas estratégicas de transporte de energia.
Oriente Médio
Um dos principais focos de preocupação está no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula uma parcela significativa do petróleo comercializado internacionalmente.
Os ataques na região se intensificaram nos últimos dias, aumentando a percepção de que uma interrupção mais prolongada do transporte de petróleo poderia reduzir a oferta disponível no mercado mundial.
Além disso, a Arábia Saudita interceptou um míssil balístico direcionado à região de Yanbu, importante área portuária e energética do país. O ataque não provocou danos à infraestrutura, mas aumentou a preocupação dos investidores com a possibilidade de novos ataques contra instalações de energia.
O mercado também acompanha os ataques contra instalações petrolíferas russas realizados pela Ucrânia. Uma refinaria na região de Ryazan teve uma unidade de destilação de petróleo interrompida após um ataque com drones.
Com isso, o mercado passou a considerar não apenas os riscos associados ao Oriente Médio, mas também uma possível redução na oferta de derivados provenientes da Rússia.
Estoques menores
A situação ficou ainda mais delicada depois que os Estados Unidos divulgaram uma queda expressiva nos estoques de petróleo.
Os estoques comerciais americanos diminuíram 8,6 milhões de barris, para 415,6 milhões de barris na semana encerrada em 9 de outubro. O resultado ficou muito acima da expectativa dos analistas, que projetavam uma redução de aproximadamente 288 mil barris.
A redução dos estoques ocorre em um momento em que o mercado já enfrenta dificuldades relacionadas ao fornecimento de combustíveis, especialmente diesel.
O resultado é uma combinação que preocupa os investidores: estoques menores, oferta mais ameaçada e aumento do risco geopolítico.
IEA tenta conter disparada
Para tentar aumentar a oferta disponível e reduzir a pressão sobre os preços, a Agência Internacional de Energia (IEA) decidiu liberar mais de 20 milhões de barris de combustíveis ao mercado.
Os Estados Unidos também estudam disponibilizar petróleo de sua Reserva Estratégica de Petróleo (SPR). O Departamento de Energia americano abriu uma solicitação para troca de até 17 milhões de barris de petróleo da reserva.
Essas medidas podem aliviar temporariamente a pressão sobre os preços, mas não eliminam o problema central: o mercado teme que novos ataques provoquem uma interrupção mais prolongada no fornecimento.
Petróleo mais caro
A alta internacional não significa necessariamente que a gasolina brasileira subirá imediatamente na mesma proporção.
O preço dos combustíveis no Brasil depende de vários fatores, entre eles o preço internacional do petróleo, a cotação do dólar, os custos de refino, impostos e a política comercial das empresas.
Alta prolongada do petróleo aumenta a pressão sobre toda a cadeia.
Para o consumidor, os efeitos podem aparecer não apenas na gasolina e no diesel, mas também no custo de fretes, transporte de passageiros, logística e produtos industrializados.
No caso do diesel, o impacto pode ser ainda maior. O combustível é fundamental para o transporte rodoviário de cargas no Brasil. Uma alta significativa e persistente pode aumentar o custo de distribuição de alimentos, peças, veículos e praticamente todos os produtos transportados por caminhão.
Inflação volta a entrar no radar
Quando o preço da energia sobe de maneira persistente, aumenta o custo de produção e transporte e, consequentemente, a pressão sobre os preços ao consumidor.
Isso pode dificultar o trabalho dos bancos centrais que estejam tentando reduzir os juros.
O cenário é particularmente delicado porque uma alta do petróleo pode produzir uma combinação pouco desejável: inflação maior ao mesmo tempo em que o crescimento econômico perde força.
É justamente esse risco que faz com que a disparada do petróleo seja acompanhada de perto não apenas por empresas de energia, mas também por bancos, indústrias, companhias aéreas, montadoras e investidores.
Impacto direto sobre o setor automotivo
Para o setor automotivo, petróleo acima de US$ 100 é um fator que merece atenção. O primeiro impacto aparece nos combustíveis. Gasolina e diesel mais caros podem alterar o comportamento do consumidor, favorecendo veículos mais econômicos e aumentando o interesse por modelos híbridos e elétricos.
As empresas também são afetadas pelo aumento dos custos logísticos e de transporte.
Por outro lado, novos ataques contra instalações de energia ou uma interrupção prolongada do transporte marítimo podem levar o Brent para níveis ainda mais elevados.
O mercado também acompanhará a capacidade da Rússia de manter o fornecimento de diesel e petróleo depois dos novos ataques contra suas refinarias.
Neste momento, portanto, o petróleo voltou a representar uma das maiores ameaças para a economia mundial.
Petróleo dispara para US$ 110 e aumenta temor de alta nos combustíveis e na inflação mundial



