Reestruturação pode resultar no maior corte de empregos já realizado na história da indústria automobilística.
![]()
Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e fechar fábricas.
A VW prepara uma das maiores reestruturações de sua história. Um plano apresentado pelo CEO Oliver Blume ao conselho da companhia prevê o corte de até 100 mil postos de trabalho em todo o mundo e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha, em uma tentativa de adaptar o grupo às profundas transformações que vêm redesenhando a indústria automobilística global.
Caso seja aprovado, o projeto representará a maior reestruturação já realizada pela montadora alemã em seus quase 90 anos de existência e poderá se tornar um dos maiores programas de redução de custos da história do setor automotivo.
De acordo com a Reuters, o plano foi apresentado por Oliver Blume aos principais executivos da empresa nesta semana e deverá ser analisado pelo Conselho de Supervisão da Volkswagen no próximo dia 9 de julho. A proposta prevê o encerramento das atividades das fábricas de Hanover, Zwickau, Emden e da unidade da Audi em Neckarsulm, colocando mais de 45 mil empregos em risco nessas instalações.
Pressão chinesa
A ofensiva faz parte da estratégia da Volkswagen para recuperar competitividade diante do avanço das montadoras chinesas, que conquistaram espaço tanto no mercado europeu quanto no maior mercado automotivo do mundo, a China.
Nos últimos anos, fabricantes como BYD, Chery, SAIC e Leapmotor ampliaram significativamente sua participação de mercado, principalmente no segmento de veículos elétricos, onde a Volkswagen perdeu protagonismo. Depois de décadas liderando as vendas na China, o grupo alemão foi ultrapassado por concorrentes locais e viu suas entregas recuarem de forma consistente.
Além da concorrência asiática, a empresa enfrenta margens menores de lucro, custos elevados de produção na Alemanha, tarifas sobre exportações para os Estados Unidos e uma demanda mais fraca na Europa.
Corte de investimentos
O plano também prevê redução de aproximadamente 15% nos investimentos programados para os próximos cinco anos, diminuindo o orçamento para pouco mais de 130 bilhões de euros. A estratégia ainda contempla uma reorganização estrutural do grupo, incluindo mudanças na divisão da marca Volkswagen e da área de componentes.
Sindicatos
A proposta, entretanto, promete enfrentar forte oposição. O conselho de trabalhadores da Volkswagen e o poderoso sindicato alemão IG Metall já anunciaram que irão combater qualquer tentativa de fechamento de fábricas ou demissões em larga escala. O governo do estado da Baixa Saxônia, segundo maior acionista da montadora, também sinalizou resistência às medidas.
Um novo momento para a indústria
Especialistas avaliam que o movimento da Volkswagen simboliza uma mudança estrutural na indústria automotiva mundial. A rápida eletrificação, a digitalização dos veículos, a crescente automação das fábricas e o avanço das fabricantes chinesas estão obrigando montadoras tradicionais a reverem seus modelos de negócios.
Nos últimos anos, diversas fabricantes anunciaram programas globais de redução de custos, revisão da capacidade produtiva e reorganização industrial. No caso da Volkswagen, porém, a dimensão do plano chama atenção pelo impacto potencial sobre empregos, unidades produtivas e investimentos.
Se aprovado, o programa marcará uma nova fase para o maior grupo automotivo europeu, que busca recuperar competitividade em um mercado cada vez mais disputado e pressionado pela transformação tecnológica.
Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e fechar fábricas.



2 Comentários
Se for aprovado será a maior transformação da indústria automotiva do mundo.
Os chineses vão tomar conta do setor